O empresário João Antônio Franciosi, dono do Grupo Franciosi, é acusado pela Polícia Federal de pagar R$ 26 milhões para comprar uma decisão judicial do desembargador José James Gomes Pereira, do Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI), em um processo de disputa de terras. Um relatório da PF, obtido pela coluna Tácio Lorran, detalha o suposto esquema de corrupção.
No dia 2 de novembro, Franciosi foi alvo de mandado de busca e apreensão, suspeito de integrar o núcleo de uma organização criminosa composta por empresários envolvidos na grilagem de terras no Piauí, por meio da compra de sentenças judiciais. Também são investigados seu sócio Ubiratan Franciosi e a advogada Lia Rachel de Sousa Pereira Santos, filha do desembargador José James, além de outros advogados suspeitos de intermediar a venda das decisões no TJPI.
O Grupo Franciosi atua nos setores de soja e algodão, com plantações na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). A empresa possui 82 mil hectares de área produtiva — cerca da metade da cidade de São Paulo — e foi apontada pela revista Forbes, em 2019, como uma das 100 maiores do agronegócio brasileiro.
De acordo com a PF, João Franciosi teria designado o advogado Paulo Augusto Ramos dos Santos para negociar com Juarez Chaves e Germano Coelho, articulando com o desembargador José James e sua filha Lia Rachel a venda da decisão judicial favorável ao grupo. A sentença foi proferida no processo Agravo de Instrumento nº 0750602-73.2023.8.18.0000. Embora não fosse parte do processo, Franciosi seria beneficiário direto da decisão, segundo as investigações.

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