Os povos indígenas brasileiros viviam o amor livre, mas com a invasão portuguesa tiveram que viver um único tipo de casal: Homem e mulher
VERDADEIRA HISTÓRIA DO BRASIL
Antes da invasão portuguesa e europeia do que hoje conhecemos como Brasil, os povos indígenas viviam seus afetos, afetividades e sexualidades de forma muito mais livre do que o padrão que lhes foi imposto depois. Nas sociedades originárias, homens e mulheres podiam se relacionar sem culpa ou vergonha — homem com homem, mulher com mulher, trisalidades, guerreiros com jovens aprendizes, e outros modos de amar que não se encaixam no modelo monogâmico-heterossexual institucionalizado.
Na cultura dos Tupinambá, por exemplo, existe o termo “tíbiras” para designar pessoas indígenas com orientação homoafetiva ou não-heteronormativa — mostrando que outras formas de amar, outras identidades de gênero ou sexualidades, já fazia parte dessa história antes do contato colonial.
Com a invasão portuguesa e europeia, vieram missionários, cronistas, moral cristã, leis canônicas e padrões de conduta importados que viam a sexualidade de outro modo — voltada à reprodução, ao casamento entre homem e mulher, à heteronormatividade como regra.
Os relatos coloniais registram que os invasores ficaram chocados com a naturalidade com que muitos povos indígenas expressavam seus afetos e desejos — inclusive relações entre pessoas do mesmo sexo ou comportamentos que fugiam ao modelo europeu.
Nesse processo, os “tíbiras” passaram a ser perseguidos — exemplifica-se o caso emblemático de Tibira do Maranhão, indígena tupinambá que, em 1614, foi executado sob acusação de “sodomia” pela presença de missionários franceses e portugueses no litoral brasileiro.
A imposição de uma única forma legítima de casal — homem + mulher — e a perseguição a identidades não-heteronormativas e culturas indígenas inteiras foram parte da violência simbólica e material da invasão europeia. A cultura indígena, com seus modos próprios de amar, de identidade, de sexualidade, foi sendo apagada ou marginalizada.
É fundamental reconhecer que essas histórias não são lendas: são trajetórias de vidas, de modos de existência e de resistência que sobrevivem até hoje. E ao contar essa versão da história, estamos também honrando as vozes silenciadas pela violência da colonização.

Comentários
Postar um comentário